Quando morre um pai
Morre também um velho e carcomido amor
Que com o tempo longo e persistente frio
Em um balão mucho, descolorido e vazio
Tornou-se assim e para sempre assim ficou
A noite realinhou suas estrelas, planetas e constelações
Desenhando no céu um grande, terrível e imortal escorpião
Enfeitado com sua
cauda pontiaguda e com terrível veneno
Com o mais belo e brilhante dos planetas
A representar a morte ou quem sabe pura e inesperada sorte
O céu me apontando para um fim ou para novo saudável recomeço
Só que para isso morrer será necessário
E acordar em um lindo
e desejado querer
Devemos acabar com tudo e aquilo que já se foi
Morreu ou infelizmente já não mais existe
É muito triste eu sei
Pois por tudo isto eu já passei
E assim me revolto como a cabular esta inútil e chata das
aulas da escola
Que nada mais tem a nos contar
Escola que pouco educa e quase nada nos ensina
Nossas vidas passaram a ser
Como lições sem graça e obrigatórias
Pois nossos beijos outrora doces e excitantes
Agora neste malfadado instante
Tornou-se amargo e sem nenhuma emoção
Hoje sinto sentir ser o momento certo
De uma separação de corpos
Uma distância por hora de sua companhia
Quase sempre chata e vazia
Ontem o céu assim se
desenhou
Imagem cruel de uma
mortal constelação
Formato claro e raro
de um escorpião mortal e impiedoso
Fazendo-me felizmente
ver em enfim enxergar
Ser este o momento
triste, difícil, mas necessário
E por fim terminar
Este longo e
prolongado sofrimento
E assim juntos quem sabe talvez
Caminharmos para uma nova e feliz vida
Rumo sempre em frente
direção ao Norte e o mais distante da morte
Sei que esta nova jornada
De nada de fácil será
Às vezes um extenuante e tortuoso caminho
Estrada íngreme e
esburacada
Mas está próxima uma desejada pousada
Ao fim difícil e ponto final desta estrada
Em breve eu sei
Deitarei em macia e aconchegante cama
A me cobrir em quentes e calorosos abraços
E despertar em doces e deliciosos beijos
De minha linda e nova namorada
Que chegará com certeza
Nesta próxima e brilhante lua cheia.
Marcos Aurélio



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